TECNOLOGIA & EDUCAÇÂO

Aprendizagem Organizacional: a estratégia das Universidades Corporativas

Profa. Msc. Natércia Guimarães Gomide, Consultora em Gestão de Pessoas e Educação Corporativa, Brasil

27 Abril 2017

O cenário mundial promoveu várias evoluções nos modelos de gestão organizacional transformando o macro ambiente sócio-econômico-cultural, fazendo com que as empresas fossem obrigadas a se adaptar a esta nova realidade. Para tanto, novas idéias e práticas administrativas e gerenciais surgiram, dentre elas a aprendizagem organizacional, que é um novo conceito que precisa ser associado à gestão estratégica.

A gestão do conhecimento é um elemento vital para a geração de inteligência competitiva, e esta vertente não se constitui em mais um modismo de eficiência operacional, constituindo-se como parte integrante da estratégia empresarial de um mundo pós-moderno. O aprendizado dentro das empresas potencializa a inteligência corporativa e competitiva, contribuindo para a perpetuação da empresa no mercado, através de sua capacidade de reunir informações, criando e inovando o conhecimento corporativo.

A aprendizagem corporativa se apresenta como uma competência distintiva para as empresas, sendo possível observar o efeito do conhecimento sobre a produtividade no trabalho. Recentemente vários estudos foram realizados abordando elementos clássicos do crescimento econômico – capital e trabalho, e estes demonstram que o desenvolvimento econômico não pode mais ser explicado recorrendo apenas ao crescimento do capital e da mão-de-obra disponível, caracterizando assim a existência de outras fontes que promovem o crescimento econômico.

Os estudos realizados por Robert Solow  (Prêmio Nobel de Economia – 1987) demonstram que praticamente um terço do crescimento anual da renda per capita nos EUA, deriva de outros fatores que não capital e trabalho. Paul Romer  (1990), no modelo básico da Nova Teoria do Crescimento, mostra o quanto o conhecimento afeta a produtividade do trabalho e demonstra que um milhão de trabalhadores com pouco acesso ao conhecimento produz menos do que um milhão de trabalhadores com acesso ao conhecimento mais moderno.

Essa revolução ocorreu a partir do aumento da comunicação de forma geral, o desenvolvimento de novas tecnologias e também como um reflexo da mudança da base econômica, uma vez que a sociedade já não se baseia apenas na produção agrícola, nem na indústria, mas sim, na produção de informação, serviços e conhecimentos. A premissa anterior de se trabalhar rapidamente e em grande escala cedeu lugar ao aprendizado para a realização do trabalho, possibilitando a geração de informações, distribuindo-as como forma de conhecimento.

A necessidade do crescimento pessoal e profissional, fez com que as empresas considerassem a possibilidade de realizar o seu próprio desenvolvimento de acordo com as especificidades do negócio e necessidades estratégicas. O aprendizado organizacional contínuo emergiu como possibilidade de desenvolvimento e sustentação das vantagens competitivas do negócio, sendo fundamental inspirar os talentos humanos para o crescimento pessoal/profissional permanente, na busca de um desempenho excepcional.

Neste contexto surgiram as Universidades Corporativas que tem o objetivo precípuo se preocupar com o patrimônio intelectual do negócio. De acordo com Richard Deatry  “O papel de uma universidade corporativa não é apenas a distribuição do aprendizado de qualidade – é igualmente relacionado com a realização da orientação estratégica, posicionamento e qualidade do aprendizado de tal modo que ele persistentemente norteie o crescimento do patrimônio intelectual do negócio”. Complementando ainda diz que as empresas “preocupam-se mais com treinamento e menos com educação, mais com prescrições morais sobre o que este ou aquele funcionário deverá fazer do que com compreensão aprofundada da realidade e orientação da conduta a partir dessa compreensão, não dando real importância à capacitação humana, no seu sentido mais amplo. Afinal, é preciso saber lidar com a deficiência na formação de bons “técnicos”.”

Referências:

SOLOW, Robert M.  On Theories of Unemployment, American Economist Review. 1:11, março vol. 70, 1980.

ROMER, Paul. Endogenous Technological Change. Journal of Political Economy, nº 98, Outubro de 1990, p. 71- 102.

Richard Deatry, Diretor Executivo da Intellectual Partnerships Consulting.

http://www.manager.com.br/reportagem/reportagem.php?id_reportagem=469. Acesso em: 27/04/2017

Natércia Guimarães Gomide

Natércia Guimarães Gomide

Consultora em Gestão de Pessoas e Educação Corporativa

Mestre em Administração de Empresas, Liderança e Motivação, especialista em Filosofia, especialista em Administração e Desenvolvimento de Recursos Humanos e graduada em Psicologia.

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