TECNOLOGIA & EDUCAÇÂO

A Universidade Corporativa como diferencial competitivo

Profa. Msc. Natércia Guimarães Gomide, Consultora em Gestão de Pessoas e Educação Corporativa, Brasil

17 Abril 2017

A sociedade do século XXI não se baseia mais na produção agrícola ou industrial quando o capital físico era a variável-chave de crescimento econômico. No mundo contemporâneo a sociedade se alicerça na comunicação e conhecimento, e tem como principal personagem o capital humano.

No novo cenário mundial, os serviços, a qualidade e a criatividade são os principais elementos para o sucesso, as idéias passam a ser moeda corrente e o conhecimento se torna o fator de produção mais importante.

Na sociedade do conhecimento, a educação para o pensar é o que promove a prosperidade, tornando a aprendizagem organizacional uma necessidade.

Dentro deste novo conceito, o valor não está na aprendizagem adaptativa, mas principalmente na generativa, que expande a capacidade de criar o futuro.

De acordo com a UNESCO: Brasil não vê educação como instrumento de qualificação de vida . De acordo com a coordenadora de Educação da Unesco no Brasil, Rebeca Otero, o Brasil é claramente um país que precisa repensar esse papel da educação. “No Brasil, vemos mais uma educação focada em determinados conteúdos, … e os currículos pautados apenas pelos livros didáticos. Não se vê a educação como esse instrumento de qualificação da vida das pessoas”

Este fator coloca o Brasil em posição delicada frente à globalização, posto que, a educação tem legitimidade macroeconômica, implicando diretamente no desenvolvimento e competitividade do país.

Apesar do significativo aumento do número de IES – Instituições de Ensino Superior no Brasil, ainda não se consegue suprir a demanda necessária ao país em termos de formação e qualificação de pessoal.

Outro fator importante a ser considerado, é que em sua maioria as IES estão mais direcionadas para a produção e/ou reprodução do conhecimento científico, desvencilhada das práticas necessárias ao desenvolvimento organizacional, oferecendo um pensar mais teórico do que aplicável.

A educação formal habitualmente trabalha com o princípio cartesiano, fragmentando os problemas. O pensamento sistêmico precisa ser privilegiado nas organizações, favorecendo a visão holística e possibilitando a análise da realidade, bem como, a visualização das necessidades de inovação que agreguem valor na cadeia de processos.

Para que isto aconteça, é necessário que os gestores e gerenciadores ajam como profissionais do conhecimento, e saibam criar projetos e soluções inovadoras a partir do potencial intelectual da empresa.

Diante deste quadro, faz-se necessário que as empresas comecem a buscar alternativas para minimizar o impacto deste déficit educacional, tomando providências cabíveis para mudar esta realidade.

Para isto, as empresas precisarão seu próprio núcleo de aprendizagem corporativa afim de promover diferenciais competitivos, valendo-se de seu capital intelectual como fator para o sucesso empresarial.

Este descompasso educacional e a atual realidade de mercado trouxeram à tona a necessidade de gerar novas possibilidades para compensar este hiato.

Diante deste cenário, surge o conceito de universidade corporativa, com o intuito de criar uma infra-estrutura que garanta o aprendizado contínuo, combatendo a obsolescência do conhecimento.

No modelo econômico contemporâneo, a inteligência organizacional representa diferencial de mercado, deixando clara a importância de se adotar um papel proativo para o desenvolvimento das competências críticas humanas exortando o capital intelectual requerido para o sucesso do negócio.

O aprendizado organizacional contínuo emerge como possibilidade de desenvolvimento e sustentação das vantagens competitivas, para isso, é fundamental inspirar os talentos humanos para o crescimento pessoal/profissional permanente, na busca de um desempenho excepcional.

A educação corporativa preconiza o aprimoramento das competências, vinculando a aprendizagem às necessidades estratégicas da empresa, difundindo a visão e valores estratégicos, além de fomentar a reciclagem e o acúmulo do saber a partir da socialização da aprendizagem em qualquer lugar e a qualquer tempo.

A ampliação do potencial humano tem por objetivo desenvolver meios para alavancar novas oportunidades de penetração de mercado, aprofundar relacionamentos com os componentes da cadeia de valor, abrindo horizontes que impulsionem o negócio a um novo futuro.

O desenvolvimento de pessoas é um fator de sucesso empresarial, quando a construção do conhecimento está aliada à busca de resultados.

Segundo Marisa Eboli , a prática tem demonstrado que “a migração do T&D tradicional para a educação corporativa ganhou foco e força estratégica, evidenciando-se como um dos pilares de uma gestão empresarial bem-sucedida. … As boas práticas de gestão de pessoas resultam em mais lucros; e as empresas com melhores condições para trabalhar são as que têm mais sucesso”.

Referências:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2016-09/unesco-brasil-nao-ve-educacao-como-instrumento-de-qualificacao-de-vida. Acesso em: 27/04/2017

“Educação Corporativa no Brasil: Mitos e Verdades”. São Paulo : Gente, 2004, pg:38.

Natércia Guimarães Gomide

Natércia Guimarães Gomide

Consultora em Gestão de Pessoas e Educação Corporativa

Mestre em Administração de Empresas, Liderança e Motivação, especialista em Filosofia, especialista em Administração e Desenvolvimento de Recursos Humanos e graduada em Psicologia.

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